terça-feira, 23 de dezembro de 2008

"Dilúvio".As Chuvas


fonte: blog da Ana Paula Valadão

Um texto sobre “dilúvio”

Amados,

tenho mantido contato com uma irmã de Blumenau, e ela me mandou um texto interessante sobre a visão que o conselho de pastores da cidade tem recebido sobre o “dilúvio” que atingiu aquela região. Compartilho com vocês…

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Graça e paz, irmãos

Hoje é o quarto dia consecutivo de sol, contrariando as previsões meteorológicas! Isso ajuda bastante na limpeza da cidade, porém em alguns lugares ainda há até um metro e meio de lama. As máquinas não conseguem fazer um trabalho mais rápido enquanto não secar.

Das mil e oitocentas ruas da cidade, mais de oitocentas foram danificadas e ainda há trezentas totalmente bloqueadas. O Exército continua controlando o acesso às áreas de risco. Trinta e cinco por cento do território da cidade é agora considerado área de risco. Sessenta por cento das áreas desocupadas não poderão mais ser ocupadas. Os abrigos estão lotados ainda (escolas, igrejas, creches, centros sociais). As pessoas não têm para onde ir, pois perderam suas casas, móveis, mas também o terreno; diferente das outras enchentes que, após baixarem as águas, todos retornavam às suas próprias casas e a vida voltava ao normal.

Alguns conseguiram lugar em casas de familiares, parentes e amigos, ou conseguiram alugar as últimas casas e apartamentos disponíveis. Agora não há mais casas para alugar. Os que estão nos abrigos terão que ficar lá até que novas casas sejam construídas. Muitas pessoas estão indo embora da cidade, voltando para suas cidades de origem, pois ficaram traumatizadas com a tragédia e também porque não têm mais moradia.

O fornecimento de água e energia elétrica, aos poucos, vai voltando ao normal. Em alguns lugares nasceram verdadeiros rios que ainda correm pelo meio das ruas e estradas. A revista Veja usou o termo “dilúvio” para denominar o acontecido. Agora temos uma pequena noção do que significa um dilúvio. O fenômeno climático que causou o que está sendo considerada a maior catástrofe natural do Brasil não pode ser explicado. Explica-se como aconteceu, mas não o porquê. Foi simplesmente um mistério!

“As águas te viram, ó Deus, as águas te viram, e tremeram; os abismos também se abalaram” (Sl. 77:16).

Pouco mais de uma semana depois, o Conselho de pastores da cidade, criou um comitê de técnicos para elaborar um projeto de construção de casas populares. A prioridade emergencial do poder público, agora, é a recuperação da malha viária.

Os pastores, conscientes de seu papel profético e sacerdotal, têm a grande oportunidade de se posicionarem como pastores de uma cidade e não mais de uma igreja local.

Quero compartilhar algumas leituras que temos feito no reino espiritual:

“Esta é a cidade alegre, que habita despreocupadamente, que diz no seu coração: Eu sou, e não há outra além de mim; como se tornou em desolação, em pousada de animais! Todo o que passar por ela assobiará, e meneará a sua mão” (Sf. 2:15). Quebrou-se um paradigma em Blumenau. Pensava-se que os lugares altos fossem seguros. Os que correram para lá foram soterrados. O único lugar seguro é a Rocha, Cristo. Estar nEle é ouvir a Sua palavra e obedecer (Mt.7:24-27). Lugar alto significa soberba e idolatria (egoísmo, materialismo, avareza, auto-suficiência…). O Senhor derrubou os altares, os ídolos do coração. Jesus disse: “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo” (Jo.12:32). O lugar alto é a cruz, maior expressão de entrega, renúncia, amor, misericórdia, compaixão… Este é o estilo de vida que Deus espera de nós.


As águas abalaram as estruturas e as casas caíram. Casa é Igreja. As estruturas da religiosidade, tradicionalismo e humanismo precisam cair! A Igreja de Jesus tem uma estrutura. Aquele que a fundou e disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela, estabeleceu uma estrutura: doze discípulos, que os chamou apóstolos, e disse: “Ide, fazei discípulos de todas as nações…”. Esta é a única estrutura e modelo - discipulado, relacionamento, aliança, autoridade, submissão, serviço, amor, cuidado, pastoreio…


“Porque eis que o SENHOR está para sair do seu lugar, e descerá, e andará sobre as alturas da terra. E os montes debaixo dele se derreterão, e os vales se fenderão, como a cera diante do fogo, como as águas que se precipitam num abismo” (Mq.1:3,4). Os montes, literalmente, se derreteram! Assim também nosso coração se derrete diante do Senhor para nos arrependermos de nossas iniqüidades e dureza de coração, que se manifesta na divisão, competição, invejas, maledicência e, principalmente, no desprezo às vidas que estão morrendo sem Jesus.


Há muito tempo oramos e cantamos pedindo chuva de avivamento! O Senhor nos mostrou que a chuva não apenas rega a terra para produzir fruto, mas também vem para destruir, trazer juízo, correção aos homens. Para construir o novo é preciso destruir o que é velho, nossos paradigmas de pensamento, religiosidade, justiça própria, indiferença, comodismo, conforto. “Porque faz miúdas as gotas das águas que, do seu vapor, derramam a chuva, a qual as nuvens destilam e gotejam sobre o homem abundantemente. Porventura pode alguém entender as extensões das nuvens, e os estalos da sua tenda?… Com as nuvens encobre a luz, e ordena não brilhar, interpondo a nuvem. O que nos dá a entender o seu pensamento, como também ao gado, acerca do temporal que sobe. Sobre isto também treme o meu coração, e salta do seu lugar… Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes coisas, que nós não podemos compreender… Também de umidade carrega as grossas nuvens, e esparge as nuvens com a sua luz. Então elas, segundo o seu prudente conselho, se espalham em redor, para que façam tudo quanto lhes ordena sobre a superfície do mundo na terra. Seja que por vara, ou para a sua terra, ou por misericórdia as faz vir” (Jó 36:27-29, 32-33; 37:1,5, 11-13)


Esta chuva não foi normal, mas misteriosa, inexplicável, espantosa e voltou a atenção de todo o Brasil a nós – “E tornarei a terra em desolação e espanto e cessará a soberba do seu poder; e os montes de Israel ficarão tão desolados que ninguém passará por eles (Ez. 33:28). Todavia, o Senhor também fará algo maravilhoso aos olhos de toda a nação. Ele fará um mistério espiritual, algo inexplicável e despertará um avivamento sem precedentes. Será um outro espanto – “E o SENHOR nos tirou do Egito com mão forte, e com braço estendido, e com grande espanto, e com sinais, e com milagres (Dt. 26:8);
Aquela cidade alegre, que festejava em suas festas de chope, terá uma nova alegria. E isto será notório a todos!


“Naquele dia não te envergonharás de nenhuma das tuas obras, com as quais te rebelaste contra mim; porque então tirarei do meio de ti os que exultam na tua soberba, e tu nunca mais te ensoberbecerás no meu monte santo… Canta alegremente, ó filha de Sião; rejubila, ó Israel; regozija-te, e exulta de todo o coração, ó filha de Jerusalém. O SENHOR afastou os teus juízos, exterminou o teu inimigo; o SENHOR, o rei de Israel, está no meio de ti; tu não verás mais mal algum. Naquele dia se dirá a Jerusalém: Não temas, ó Sião, não se enfraqueçam as tuas mãos. O SENHOR teu Deus, o poderoso, está no meio de ti, ele salvará; ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo” (Sf. 3:11, 14-17).

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Coração Humilde



Coração humilde
Coração humilde, gigante derrotado
Uma reflexão baseada em Tiago 4.6-10 e 1 Samuel 17

As pessoas de coração humilde têm um lugar especial no coração de Deus. O próprio mestre disse: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5.3). Em Tiago 4.6-10, o apóstolo estabelece uma relação entre a humildade, a sujeição a Deus e a resistência ao nosso inimigo. De fato, só podemos nos sujeitar a Deus se formos humildes, e só podemos resistir ao diabo se tivermos humildade suficiente para identificarmos, em nós mesmos, os reflexos das setas que nos foram lançadas por ele.

Ainda no texto de Tiago, é dito que “Deus dá graça aos humildes”. Mas que graça seria esta?
A graça que Deus nos concede é a força para, nos sujeitando a Ele, resistirmos ao inimigo de nossas almas. É graça para, nos chegando a Ele, termos sua presença conosco. É graça para sermos purificados, termos nossos corações limpos, e termos o bálsamo curador derramado sobre nossos corações.

Para isto, precisamos primeiramente nos humilhar diante do Senhor. Quando nos sujeitamos a Ele, podemos resistir ao diabo. E resistir não é fugir. Resistir não é ficar inerte, em apatia. Resistir é se opor, se posicionar contra, avançar em vitória. E não conseguimos nos posicionar contra nada se não reconhecermos que precisamos fazer isso. É aí que entra a humildade. É necessário um coração humilde para reconhecermos nossas próprias falhas, dificuldades e lutas – seja diante de Deus, de outras pessoas ou de nós mesmos. A nossa tendência como seres humanos, é negarmos, minimizarmos, ocultarmos, escondermos, manipularmos, tentarmos resolver da nossa forma, ou mesmo avançarmos, porém na nossa própria força. Essas são atitudes de um coração que ainda não está andando em plena humildade.

No capítulo 17 de 1 Samuel lemos acerca da história do desafio do gigante Golias ao povo de Israel, e como o então jovem Davi, cheio do Senhor, obteve a vitória. Dentro do contexto desta breve meditação, não podemos deixar de notar um detalhe muito interessante, que nos mostra que, quando não nos posicionamos e não resistimos ao inimigo, ele avança em nossa direção. Vejamos:

A atitude nossa de cada dia
“Golias parou e clamou às tropas de Israel e lhes disse: escolhei dentre vós um homem que desça contra mim”. (1 Samuel 17:8. Grifo meu) Este era o desafio diário que Golias, representando o exército dos filisteus, fazia contra o exército de Israel. Este desafio durou quarenta dias, quando então Davi se apresentou. A propósito, Davi fora ungido por Deus mediante o profeta Samuel, pouco tempo antes desse ocorrido. Ele, Davi, tinha um coração humilde (1 Samuel 16:7). Antes, porém, do desfecho desta conhecida história, a Bíblia nos diz o seguinte: “Os israelitas, vendo Golias, fugiam dele, temiam grandemente, e diziam uns aos outros: vistes aquele homem que subiu? Pois subiu para afrontar Israel”. (Grifo meu)

Observe que, inicialmente, Golias desafia um homem para descer contra ele; e como não se achou homem no exército de Israel que aceitasse o desafio, é dito que Golias subiu para afrontar Israel. Em outras palavras, a esta altura Golias estava literalmente “instalado” dentro do espaço do exército de Israel naquela batalha.

É isto que acontece quando não resistimos ao nosso inimigo: ele se instala. Mas há esperança de vencermos os “gigantes” de nossa vida: devemos nos sujeitar ao Senhor e sermos humildes em admitir nossas imperfeições. Davi sabia que ele não podia vencer aquele gigante pela sua própria força. Por isso ele disse: “O Senhor me livrará da mão deste filisteu” (1 Samuel 17.37). E disse ainda a Golias: “Tu vens a mim com espada, lança e escudo; mas eu venho a ti em nome do Senhor dos Exércitos, a quem tens afrontado” (1 Samuel 17.45).

É preciso reconhecer as nossas limitações e a nossa necessidade de cura. É necessário que nos cheguemos a Deus, nos purifiquemos e nos humilhemos na presença dele. Para muitos, a situação está sempre “tudo bem”. Alguns têm muita dificuldade de reconhecer que precisam de oração, de um ombro amigo, de cura ou apenas de alguém para o ouvir. Alguns se acham sempre acima de qualquer situação. Existem pessoas envolvidas em vícios, falta de perdão, lutas de toda a espécie, que jamais se humilham e nunca reconhecem que só se sujeitando ao Senhor é que poderão vencer os gigantes desta vida... Por isso Deus diz, pela sua Palavra, que a graça de resistir ao diabo é para os humildes! Esta graça está disponível a todos, mas será concedida apenas para aqueles que tiverem o coração tão humilde, a ponto de chamar o pecado pelo nome, não mentir para si mesmos, não se auto-justificarem e nem tampouco tentar se ocultar do Senhor. Esta graça é para aqueles que simplesmente reconhecerem: “Pai, eis aí o meu gigante... E eu preciso do Senhor”.

Que nesta hora nos sintamos fortalecidos pelo Espírito Santo a nos posicionarmos contra o nosso inimigo. Que nos sintamos encorajados a sermos “praticantes da palavra e não somente ouvintes” (Tiago 1.22) e a “confessarmos os nossos pecados uns aos outros para sermos curados” (Tiago 5.16). Que não nos enganemos a nós mesmos, tentando camuflar diante de Deus nossas culpas, dificuldades e lutas, mas simplesmente reconheçamos humildemente que, sem Ele, nada somos e nada podemos fazer; e que, portanto, precisamos desesperadamente de sua presença e auxílio em nossas vidas. Que tenhamos um coração humilde diante de Deus, de nós mesmos e das pessoas que nos cercam, e assim veremos nossos gigantes caírem por terra e serem derrotados pelo Senhor.