terça-feira, 28 de outubro de 2008

A Lição dos Corvos


Em 1 Reis 17.1-6, vemos o cenário caótico de Israel sendo impactado pela dura profecia de Elias: “Não choverá, nem cairá orvalho nesta terra...” (v.1). Era Deus agindo em sua vida para curar o povo da idolatria. Só que o deserto também o afetaria. Por amor, o Senhor lhe manda ir para o oriente esconder-se junto ao ribeiro de Querite (v.3). Deus lhe avisa que ele deveria beber do ribeiro, mas o alimento sólido viria de corvos enviados por Ele. É aqui que eu quero chegar.
Se não fosse o aviso de Deus, Elias poderia ter se assustado com a chegada dos corvos. São aves sombrias, sinal de maus presságios. Elias já estava sozinho, com fome, vendo seu povo padecer e ainda surge “aquilo?” Era a última coisa que ele gostaria de ver! Para completar, corvos são necrófagos (gostam de coisas mortas). Ele poderia pensar: “Acabou, vou morrer”. Mas junto àquelas figuras feias, estava o seu sustento. Nós vivenciamos isso. Estamos no deserto, sofrendo e quando parece que vai melhorar, tudo parece piorar! A gente entra em crise. Mas Elias tinha de sobra o que por vezes nos falta. Elias tinha a direção de Deus, o olhar dele sobre o seu deserto. Sua intimidade com Deus lhe trouxe entendimento (Sl 25.14): ”Parece assustador, filho, mas sou Eu agindo. Confie.”
Nós só esperamos boas notícias, mas os desertos desta terra sempre nos afetarão. Sempre teremos um calcanhar de Aquiles, um espinho na carne, uma situação onde Deus parece ainda não ter agido. Nesses desertos, precisamos entender que somente a graça nos basta (2Co 12.9). Não é Deus dizendo, indiferente à nossa dor, “Pare de reclamar! Já tá de bom tamanho a graça!” Mas sim que precisamos passar por alguns desertos, há um propósito e a única coisa suficiente para nós, nestes momentos, é a Graça de Deus (1Pe 3.15).
Num mundo mascarado, quase nada é o que parece (Jr 17.9). Coisas “boas” como dinheiro e fama podem nos levar a um eterno estado de morte (Rm 8.5,6a). Mas aquilo que às vezes nos assusta, se enfrentarmos, contribui para o nosso amadurecimento. E vamos sendo guiados a um eterno estado de vida.
Quero aprender com os corvos espirituais! Existem situações que me apavoram, mas certamente essas situações estão contribuindo para o meu crescimento espiritual. Estamos aqui para cumprir o que realmente importa: a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm 12.2).

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